Um livro por semana

Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas.

Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor.

Para mais textos meus, visite o PLOG.

“INVISÍVEL”
PAUL AUSTER
Muito bem, a tentativa de ler um livro a cada sete dias foi pras cucuias na terceira semana. Mas sigo lendo ótimos romances, então não tenho vergonha algum de compartilhar aqui de vez em quando minhas imporessões.
Hoje falarei de “Invisível”, do autor americano Paul Auster. Este escritor é um dos meus preferidos: com estilo claro e conciso, sem pirotecnias estilísticas pra provar que sabe escrever, Auster sempre monta enredos intrigantes e inteligentes, com personagens carismáticos e muito bem construídos. É uma espécie de anti-Saramago (e muito embora minha devoção pelo autor português ultrapasse os anos, admiro Auster na mesma medida).
Em “Invisível”, Auster monta um quebra-cabeças intrigante sobre verdade e ficção. Acompanhamos a história de Adam Walker, um jovem poeta que vive a ebulição política e cultural da Universidade de Columbia em pelo ano de 1967. Meio sem rumo na vida, tudo muda ao conhecer Rudolf Born, um professor bem-sucedido que decide investir alto para que Adam publique uma revista de literatura. Em pouco tempo, porém, o belo poeta se envolve com a esposa de Born, a irresistível francesa Margot, e esse triângulo evolui até um crime brutal que marca pra sempre a vida de Adam Walker.
O grande lance do livro, porém, é que tudo isso acontece já nas primeiras páginas. E quando você pensa que não tem mais histórias, Auster surpreende com uma reviravolta inteligentíssima que faz com que o leitor comece a questionar se o que leu até então não passava de ficção ou, por incrível que pareça, era um relato real.
Esse jogo de misturar realidade e ficção é tão bem costurado por Auster que nas últimas páginas você vai chegar a pensar: “Será que Paul Auster e não Adam Walker viveu isso tudo?” Sim, metalinguagem (pirotecnia da mais pura), mas feita com tanta elegância e discrição que funciona. Ou seja, você realmente vai se questionar sobre o que é verdade e o que é ficção.
Minhas outras opiniões sobre o livro só podem ser ditas pra quem o leu (spoiler do mais alto grau). Então, pra não estragar as surpresas que “Invisível” guarda, encerro por aqui. Corra pra ler o livro. Depois a gente conversa.
De zero a dez: 10,0 e com louvor.

“INVISÍVEL”

PAUL AUSTER

Muito bem, a tentativa de ler um livro a cada sete dias foi pras cucuias na terceira semana. Mas sigo lendo ótimos romances, então não tenho vergonha algum de compartilhar aqui de vez em quando minhas imporessões.

Hoje falarei de “Invisível”, do autor americano Paul Auster. Este escritor é um dos meus preferidos: com estilo claro e conciso, sem pirotecnias estilísticas pra provar que sabe escrever, Auster sempre monta enredos intrigantes e inteligentes, com personagens carismáticos e muito bem construídos. É uma espécie de anti-Saramago (e muito embora minha devoção pelo autor português ultrapasse os anos, admiro Auster na mesma medida).

Em “Invisível”, Auster monta um quebra-cabeças intrigante sobre verdade e ficção. Acompanhamos a história de Adam Walker, um jovem poeta que vive a ebulição política e cultural da Universidade de Columbia em pelo ano de 1967. Meio sem rumo na vida, tudo muda ao conhecer Rudolf Born, um professor bem-sucedido que decide investir alto para que Adam publique uma revista de literatura. Em pouco tempo, porém, o belo poeta se envolve com a esposa de Born, a irresistível francesa Margot, e esse triângulo evolui até um crime brutal que marca pra sempre a vida de Adam Walker.

O grande lance do livro, porém, é que tudo isso acontece já nas primeiras páginas. E quando você pensa que não tem mais histórias, Auster surpreende com uma reviravolta inteligentíssima que faz com que o leitor comece a questionar se o que leu até então não passava de ficção ou, por incrível que pareça, era um relato real.

Esse jogo de misturar realidade e ficção é tão bem costurado por Auster que nas últimas páginas você vai chegar a pensar: “Será que Paul Auster e não Adam Walker viveu isso tudo?” Sim, metalinguagem (pirotecnia da mais pura), mas feita com tanta elegância e discrição que funciona. Ou seja, você realmente vai se questionar sobre o que é verdade e o que é ficção.

Minhas outras opiniões sobre o livro só podem ser ditas pra quem o leu (spoiler do mais alto grau). Então, pra não estragar as surpresas que “Invisível” guarda, encerro por aqui. Corra pra ler o livro. Depois a gente conversa.

De zero a dez: 10,0 e com louvor.

Ela é triste demais para ser linda. Ninguém pode ser tão triste e continuar sendo linda.
— “Invisível”, Paul Auster, pág 113
SEMANA 03: “A PONTO DE EXPLODIR”, SÉRGIO FANTINI
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.
De zero a dez: 8,0.

SEMANA 03: “A PONTO DE EXPLODIR”, SÉRGIO FANTINI

Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.

“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.

Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.

A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.

De zero a dez: 8,0.

LIVRO DA SEMANA: "A PONTO DE EXPLODIR", SÉRGIO FANTINI

Livro do contista e poeta mineiro Sérgio Fantini, que começou a publicar em 1976. “A ponto de explodir” reúne contos viscerais, que abordam a realidade com lirismo e violência.

SEMANA 02: MEDO E DELÍRIO EM LAS VEGAS, HUNTER S. THOMPSON
Eu esperava mais, não posso negar. Li diversas resenhas positivas, vi o trailler da adaptação para o cinema, pesquisei sobre o autor. Tudo isso contribuiu pra minha expectativa ir aumentando. Mas as páginas passavam e a história simplesmente não engrenava. Lá pela página 100, já estava olhando pro livro com aquela sensação de “Ok, eu cheguei até aqui, tenho que ir até o final”. E já era quinta-feira!
A verdade é que cumpri a leitura de “Medo e delírio em Las Vegas” pulando algumas páginas (não posso mentir pra vocês). Talvez porque esteja num momento em que valorizo muito mais a história do que a forma. Talvez porque seja um completo ignorante – e não entenda a importância do jornalismo gonzo. Talvez porque não estivesse no clima para uma história tão não-história.
É o seguinte: o protagonista, alter-ego do autor, é um jornalista designado para cobrir uma corrida em Las Vegas. Em companhia de seu advogado samoano, decide fazer dessa viagem um extremo: eles alugam um grande conversível vermelho, lotam o veículo de drogas e vão em direção à capital mundial do jogo prontos a fazer de tudo, menos cobrir a tal corrida. Esse enredo rende situações interessantes (ele chapado de ácido, enxergando répteis canibais em vez de pessoas no restaurante do hotel, por exemplo), mas que se tornam repetitivas com o passar dos capítulos. Às vezes, é até bobo.
O tom documental, entretanto, dá suporte a uma interessante reflexão sobre o papel das drogas na sociedade. Como se o livro anunciasse o ocaso da geração hippie com seus ácidos ao mesmo tempo em que prenuncia a geração yuppie com sua cocaína. É legal ver que depois de tantas situações estapafúrdias, o autor prova que tinha um big plan pra história. Pena que demore 200 páginas pra você descobrir.
Um livro interessante, sem dúvida. Mas que não me pegou num bom momento.
De zero a dez: 6,0.

SEMANA 02: MEDO E DELÍRIO EM LAS VEGAS, HUNTER S. THOMPSON

Eu esperava mais, não posso negar. Li diversas resenhas positivas, vi o trailler da adaptação para o cinema, pesquisei sobre o autor. Tudo isso contribuiu pra minha expectativa ir aumentando. Mas as páginas passavam e a história simplesmente não engrenava. Lá pela página 100, já estava olhando pro livro com aquela sensação de “Ok, eu cheguei até aqui, tenho que ir até o final”. E já era quinta-feira!

A verdade é que cumpri a leitura de “Medo e delírio em Las Vegas” pulando algumas páginas (não posso mentir pra vocês). Talvez porque esteja num momento em que valorizo muito mais a história do que a forma. Talvez porque seja um completo ignorante – e não entenda a importância do jornalismo gonzo. Talvez porque não estivesse no clima para uma história tão não-história.

É o seguinte: o protagonista, alter-ego do autor, é um jornalista designado para cobrir uma corrida em Las Vegas. Em companhia de seu advogado samoano, decide fazer dessa viagem um extremo: eles alugam um grande conversível vermelho, lotam o veículo de drogas e vão em direção à capital mundial do jogo prontos a fazer de tudo, menos cobrir a tal corrida. Esse enredo rende situações interessantes (ele chapado de ácido, enxergando répteis canibais em vez de pessoas no restaurante do hotel, por exemplo), mas que se tornam repetitivas com o passar dos capítulos. Às vezes, é até bobo.

O tom documental, entretanto, dá suporte a uma interessante reflexão sobre o papel das drogas na sociedade. Como se o livro anunciasse o ocaso da geração hippie com seus ácidos ao mesmo tempo em que prenuncia a geração yuppie com sua cocaína. É legal ver que depois de tantas situações estapafúrdias, o autor prova que tinha um big plan pra história. Pena que demore 200 páginas pra você descobrir.

Um livro interessante, sem dúvida. Mas que não me pegou num bom momento.

De zero a dez: 6,0.

Parece bastante sensato imaginar que, vez ou outra, a energia de uma geração inteira atinge seu ápice num instante magnífico e duradouro, por motivos que na época ninguém compreende por inteiro - e, que, em retrospecto, nunca explicam realmente.
— “Medo e delírio em Las Vegas”, Hunter S. Thompson, pág 73

Medo e delírio nas livrarias, por Ronaldo Bressane

Interessante perceber como “Medo e delírio em Las Vegas” é cultuado. Uma espécie de “On the road” underground (sim, “On the road” já é mainstream perto dele). Saquem o artigo de Ronaldo Bressane sobre o livro da semana.

Quando acordei já era de manhã. Eu tava ali, no centro de Las Vegas, e por um instante não fazia idéia de que porra eu tava fazendo na cidade. Eu só pensava assim: ‘Ai Jesus, vai começar tudo de novo: quem será que se divorciou de mim dessa vez?’
— “Medo e delírio em Las Vegas”, Hunter S. Thompson, pág 43

LIVRO DA SEMANA: MEDO E DELÍRIO EM LAS VEGAS, HUNTER S. THOMPSON

“Uma prosa enlouquecida, corrosiva e poética, que começa onde Um sonho americano, de Norman Mailer, termina e explora o que Tom Wolfe deixou de fora.”
The New York Times

Imagine alugar um conversível vermelho e ter como destino Las Vegas. Imagine torrar o pagamento de uma matéria que ainda não foi feita e encher o carro de drogas de todos os tipos. Agora imagine ter ao seu lado o seu advogado, um samoano nada confiável. Pronto. Aqui está a história de “Medo e delírio em Las Vegas”, o livro que revolucionou as bases do texto jornalístico e transformou Hunter Thompson em um dos grandes retratistas dos ideais libertários dos Estados Unidos nos anos 60. Publicado originalmente em artigos na revista Rolling Stone durante o ano de 1971, Medo e delírio se tornou um clássico da contracultura e foi levado às telas do cinema com Johnny Depp e Benicio Del Toro, em 1998.

FONTE: L&PM EDITORES

(Source: youtube.com)

SEMANA 01: O REMORSO DE BALTAZAR SERAPIÃO, DE VALTER HUGO MÃE
José Saramago se foi, mas deixou valter hugo mãe. Assim, sem letras maiúsculas, do jeito que o autor prefere assinar. E é assim, sem maiúsculas, que hugo mãe percorre todo o caminho de baltazar serapião em seu primeiro romance publicado no Brasil.
O livro é intenso em todos os sentidos. A começar, pela linguagem. O autor foge das formas usuais e sempre encontra maneiras diferentes de dizer as mesmas coisas.
Sobre o casal fazendo sexo após dias sem se ver, escreveu:

“é um tempo de coração afastado, junto com o corpo, tem força de pôr homens e mulheres à semelhança das tempestades, mas significa primaveras por dentro, e nenhum inverno”.

É dessa forma que valter hugo mãe conta a história de baltazar serapião, empregado de uma fazenda do interior do país que se apaixoma pela bela ermesinda. O problema é que de tão bela, ermesinda provoca o mais terrível dos ciúmes. E entre personagens improváveis como uma vaca que entende os humanos, ou uma bruxa deformada pelo fogo, baltazar terá de lutar contra esse sentimento tão ruim que destrói lentamente seu amor.
Grande livro, grande livro. Tão bom que a cada capítulo deixa de importar o fim da jornada e passa a valer mais a jornada em si. É daqueles romances que deixa uma tristeza quando termina. Porque a viagem estava boa demais.
De zero a dez: 9,5. View high resolution

SEMANA 01: O REMORSO DE BALTAZAR SERAPIÃO, DE VALTER HUGO MÃE

José Saramago se foi, mas deixou valter hugo mãe. Assim, sem letras maiúsculas, do jeito que o autor prefere assinar. E é assim, sem maiúsculas, que hugo mãe percorre todo o caminho de baltazar serapião em seu primeiro romance publicado no Brasil.

O livro é intenso em todos os sentidos. A começar, pela linguagem. O autor foge das formas usuais e sempre encontra maneiras diferentes de dizer as mesmas coisas.

Sobre o casal fazendo sexo após dias sem se ver, escreveu:

“é um tempo de coração afastado, junto com o corpo, tem força de pôr homens e mulheres à semelhança das tempestades, mas significa primaveras por dentro, e nenhum inverno”.

É dessa forma que valter hugo mãe conta a história de baltazar serapião, empregado de uma fazenda do interior do país que se apaixoma pela bela ermesinda. O problema é que de tão bela, ermesinda provoca o mais terrível dos ciúmes. E entre personagens improváveis como uma vaca que entende os humanos, ou uma bruxa deformada pelo fogo, baltazar terá de lutar contra esse sentimento tão ruim que destrói lentamente seu amor.

Grande livro, grande livro. Tão bom que a cada capítulo deixa de importar o fim da jornada e passa a valer mais a jornada em si. É daqueles romances que deixa uma tristeza quando termina. Porque a viagem estava boa demais.

De zero a dez: 9,5.

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